Avenida Barão do Rio Branco - Ponte do Bairro Manoel Honório.
24 de fev. de 2011
Documentário Lixo Extraordinário
E tem produção brasileira sob os holofotes de Hollywood
Lixo, arte, pessoas e esperança. Estas são as palavras-chaves do documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelos brasileiros João Jardim e Karen Harley em parceria com a documentarista inglesa Lucy Walker.
O filme mostra o trabalho do premiado artista plástico Vik Muniz com catadores de materiais reciclavéis do Jardim Gramacho, na cidade de Rio de Janeiro, considerado um dos maiores aterros sanitários do mundo. “Extraordinário Lixo” é um dos 15 filmes pré-selecionados para concorrer ao Oscar, no próximo domingo, 27, na categoria Melhor Documentário.
Lixo, arte, pessoas e esperança. Estas são as palavras-chaves do documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelos brasileiros João Jardim e Karen Harley em parceria com a documentarista inglesa Lucy Walker.O filme mostra o trabalho do premiado artista plástico Vik Muniz com catadores de materiais reciclavéis do Jardim Gramacho, na cidade de Rio de Janeiro, considerado um dos maiores aterros sanitários do mundo. “Extraordinário Lixo” é um dos 15 filmes pré-selecionados para concorrer ao Oscar, no próximo domingo, 27, na categoria Melhor Documentário.
23 de fev. de 2011
Além dos muros e portões
As diferenças entre Responsabilidade e Marketing Social e Investimento Social
Considerando o conceito descrito pelo Instituto Ethos de que, “Responsabilidade Social é a capacidade desenvolvida pela organização de ouvir, compreender e satisfazer expectativas e interesses legítimos de seus diversos públicos”; deve-se pensar esta Responsabilidade Social como um bem coletivo e não só para dentro dos altos muros das empresas. Entretanto, o que se tem observado é uma atitude social voltado somente para os funcionários. Algumas delas permanecem inertes ao ambiente na qual estão inseridas. Não atentam para o cenário à sua volta. Se notam, fingem não enxergar. Contudo, desenvolvem projetos sociais junto aos seus colaboradores. Todavia, a Responsabiliade Social é muito mais abrangente. Suas ações ocorrem dentro e fora dos portões privados. Os empresários devem manter uma preocupação com os efeitos sociais e ambientais das atividades de suas empresas, bem como com os valores éticos e morais, resultando em um bem comum e para a melhoria da qualidade de vida das comunidades.
Desse modo, surge o investimento social que é, hoje, uma das ramificações da chamada Responsabilidade Social. As empresas privadas como, Petrobrás, Natura e Pepsi têm, cada vez mais, mergulhado em projetos de ações sociais que gerem um retorno menos abstrato e mais realista. São ações que visem uma real atuação no ambiente externo no qual a empresa está inserida. A empresa tem como objetivo intervir para melhorar o cenário dessa comunidade.
O que deve ter em mente é o objetivo em gerar um retorno positivo para a sociedade. As ações desenvolvidas nestas duas comunidades irão, de forma indireita, atingir toda a cidade, pois como já mencionou a professora Izabel Portela, do Instituo Iris, em seu texto, a melhoria do nível da escolaridade, o nível de produtividade econômica cresce consideravelmente. Entretanto, acreditamos que deve-se fazer um alertar para evitar uma confusão de conceitos. O investimento social privado não deve ser confundido com o assistencialismo momentâneo, afim de lucrar algum espaço midiático. Wellerson Cassimiro
Considerando o conceito descrito pelo Instituto Ethos de que, “Responsabilidade Social é a capacidade desenvolvida pela organização de ouvir, compreender e satisfazer expectativas e interesses legítimos de seus diversos públicos”; deve-se pensar esta Responsabilidade Social como um bem coletivo e não só para dentro dos altos muros das empresas. Entretanto, o que se tem observado é uma atitude social voltado somente para os funcionários. Algumas delas permanecem inertes ao ambiente na qual estão inseridas. Não atentam para o cenário à sua volta. Se notam, fingem não enxergar. Contudo, desenvolvem projetos sociais junto aos seus colaboradores. Todavia, a Responsabiliade Social é muito mais abrangente. Suas ações ocorrem dentro e fora dos portões privados. Os empresários devem manter uma preocupação com os efeitos sociais e ambientais das atividades de suas empresas, bem como com os valores éticos e morais, resultando em um bem comum e para a melhoria da qualidade de vida das comunidades.
Desse modo, surge o investimento social que é, hoje, uma das ramificações da chamada Responsabilidade Social. As empresas privadas como, Petrobrás, Natura e Pepsi têm, cada vez mais, mergulhado em projetos de ações sociais que gerem um retorno menos abstrato e mais realista. São ações que visem uma real atuação no ambiente externo no qual a empresa está inserida. A empresa tem como objetivo intervir para melhorar o cenário dessa comunidade.
O que deve ter em mente é o objetivo em gerar um retorno positivo para a sociedade. As ações desenvolvidas nestas duas comunidades irão, de forma indireita, atingir toda a cidade, pois como já mencionou a professora Izabel Portela, do Instituo Iris, em seu texto, a melhoria do nível da escolaridade, o nível de produtividade econômica cresce consideravelmente. Entretanto, acreditamos que deve-se fazer um alertar para evitar uma confusão de conceitos. O investimento social privado não deve ser confundido com o assistencialismo momentâneo, afim de lucrar algum espaço midiático. Wellerson Cassimiro
17 de fev. de 2011
16 de fev. de 2011
Dia do Repórter
Exatos sete dias após o triste episódio do jornalista Aguirre Peixoto
Hoje, em comemoração ao dia do repórter, disponiblizo as minhas seguintes análises: Tanques de guerra nas ruas. Escolas primárias sitiadas. Censores dentros das redações e primeira página dos jornais com receitas de bolo de laranja. Seria cômico, se não fosse tão trágico. Esse relato parece cenas de um longa-metragem hollywdiano. Mas, não é. Para aqueles que não testemunharam os dias sômbrios da ditadura militar, está ae uma leve descrição da década de 1970. Para a maioria dos brasileiros, esse regime acabou. Vivemos em um país democraticamente livre. E você, realmente acredita nisso? A censura, infelizmente, ainda reina, absoluta (sem exageros). Porém, de forma velada.
O recente caso do repórter Aguirre Peixoto, do Jornal A Tarde, demitido na última quarta-feira, 09, após publicar uma série de denúncias contra crimes ambientais, nos leva a pensar sobre uma censura, ainda viva. No entanto, silenciosa. Os atuais censores da imprensa não são oficiais militares fortemente armados, estáticos no canto mais úmidos das redações. O discreto “cala boca” jornalístico está na forma de capital, patrocínio e pressão, através do quem paga o jornal dita as ordens. Peixoto foi dispensado de seu serviço por pressão de empreiteiras, que teriam se sentido prejudicadas com as matérias. Todavia, a direção do jornal negou sofrer pressão das construtoras. E retorno a pergunta. E você, realmente, acredita nisso?
As mídias cederam espaço para grandes anunciantes que, de uma forma ou de outra, como gatekeeper, escolhem o que é ou não publicável (em favor de seus interesses). Peixoto, somente cumpriu o seu dever. Contudo, recebeu um cala boca de empresários influentes no então jornal, como no antigo regime de coronéis.
Mas, para a felicidade da imprensa, Aguirre Peixoto recebeu a proposta de retornar ao períodico. A união (mais uma vez) fez, e faz, a força. Os demais jornalistas do impresso organizaram uma greve. O editor-chefe do veículo, Florisvaldo Mattos, pediu demissão. Contudo, afirmou que sua saída não foi motivada pelo caso de Peixoto, mas devido a um acúmulo de outras situações. Wellerson Cassimiro.
Hoje, em comemoração ao dia do repórter, disponiblizo as minhas seguintes análises: Tanques de guerra nas ruas. Escolas primárias sitiadas. Censores dentros das redações e primeira página dos jornais com receitas de bolo de laranja. Seria cômico, se não fosse tão trágico. Esse relato parece cenas de um longa-metragem hollywdiano. Mas, não é. Para aqueles que não testemunharam os dias sômbrios da ditadura militar, está ae uma leve descrição da década de 1970. Para a maioria dos brasileiros, esse regime acabou. Vivemos em um país democraticamente livre. E você, realmente acredita nisso? A censura, infelizmente, ainda reina, absoluta (sem exageros). Porém, de forma velada. O recente caso do repórter Aguirre Peixoto, do Jornal A Tarde, demitido na última quarta-feira, 09, após publicar uma série de denúncias contra crimes ambientais, nos leva a pensar sobre uma censura, ainda viva. No entanto, silenciosa. Os atuais censores da imprensa não são oficiais militares fortemente armados, estáticos no canto mais úmidos das redações. O discreto “cala boca” jornalístico está na forma de capital, patrocínio e pressão, através do quem paga o jornal dita as ordens. Peixoto foi dispensado de seu serviço por pressão de empreiteiras, que teriam se sentido prejudicadas com as matérias. Todavia, a direção do jornal negou sofrer pressão das construtoras. E retorno a pergunta. E você, realmente, acredita nisso?
As mídias cederam espaço para grandes anunciantes que, de uma forma ou de outra, como gatekeeper, escolhem o que é ou não publicável (em favor de seus interesses). Peixoto, somente cumpriu o seu dever. Contudo, recebeu um cala boca de empresários influentes no então jornal, como no antigo regime de coronéis.
Mas, para a felicidade da imprensa, Aguirre Peixoto recebeu a proposta de retornar ao períodico. A união (mais uma vez) fez, e faz, a força. Os demais jornalistas do impresso organizaram uma greve. O editor-chefe do veículo, Florisvaldo Mattos, pediu demissão. Contudo, afirmou que sua saída não foi motivada pelo caso de Peixoto, mas devido a um acúmulo de outras situações. Wellerson Cassimiro.
14 de fev. de 2011
Juiz de Fora - Viaduto Ramirez Gonzalez
10 de fev. de 2011
A tecnologia que gera controle
Os últimos dez anos nos proporcionaram uma acelerada evolução científica e tecnológica. A exemplo, o recurso 3G que parecia tão abstrato, hoje é uma realidade bem presente em nossas vidas. A internet banda larga, privilégio de uma restrita minoria, atualmente é o feijão com arroz de muitos lares. Sem falar, é claro, da televisão de alta definição (ou como alguns preferem chamar de high definition television – HDTV) que, já está se tornando uma febre em solo tupiniquin. Como resultado, conseguimos informação diversa ao nosso alcance. Nunca tivemos tantos conhecimentos acessíveis. Quem diria aqueles que por buscar conhecimento e saber foram exilados ou mortos pela mão pesada da ditatura, a qual me atrevo chamar de Idade das Trevas Brasileira.
Entretanto, um fenônemo “raro”acontece. Mesmo com tanta informação de fácil acesso, a apatia social parece cada vez aumentar mais. Já dizia Theodor Adorno (que também me atrevo a chamar de meu amigo): “informar para alienar”. As informações são as milhares. Na tevê, no rádio, na internet... Ops! Não posso esquecer... até no celular. Todo o conhecimento da rede mundial de computadores cabe na palma de nossas mãos.
Contudo, acredito que pagamos um preço alto por tanto conhecimento. A nossa alienação e nosso conformismo, gerando um controle velado sobre a sociedade. Para complicar ainda mais toda essa expressão númerica de raízes quadradas informacionais, colchetes sociais e parênteses culturais, tudo parece fluído e solúvel, que escapa por entre nossos dedos, como já caracterizou Bauman. Mantemos relações rápidas e superficiais. Temos medo da alteridade e do novo. Medo esse oriundo do advento da excessiva tecnologia.
Esse tempo pós-moderno, que outros denominam de contemporâneo, transformou a sociedade em um terreno, constantemente, sitiado. Somos prisioneiros em nossos lares. Instalamos câmeras de vigilância, cercas elétricas e portões automáticos. Somos vigilantes de nós mesmos. Em outras palavras, parece vivermos em um reality show; sem é claro, um apresentador nos chamando de herois, bravos guerreiros ou algo do gênero. Basta digitar seu CPF ou, num display exibir as ranhuras particulares de seus dedos que, em poucos segundos o histórico de toda a sua vida aparecerá, como num passe de mágica. Tecnologia, meu caro! Tecnologia...
Para aqueles que conseguem tomar posse de todo esse conhecimento, a ascensão social é inevitável. Que nos diga o rapaz do facebook. Ter acesso ao saber está fácil. Decodificá-lo e dominá-lo, já não é tão simples assim. Tanto faz a classificação; pós-moderno ou contemporâneo. Caso nossa postura não mude diante de todo esse conhecimento acessível e infinito, agora, seremos dragados por nossos chips e softwares e, continuaremos controlados como marionetes, fazendo aquilo que os detentores do saber nos ditam. Ou, você acha que seus pensamentos e atitudes são livres? Wellerson Cassimiro.
Entretanto, um fenônemo “raro”acontece. Mesmo com tanta informação de fácil acesso, a apatia social parece cada vez aumentar mais. Já dizia Theodor Adorno (que também me atrevo a chamar de meu amigo): “informar para alienar”. As informações são as milhares. Na tevê, no rádio, na internet... Ops! Não posso esquecer... até no celular. Todo o conhecimento da rede mundial de computadores cabe na palma de nossas mãos.
Contudo, acredito que pagamos um preço alto por tanto conhecimento. A nossa alienação e nosso conformismo, gerando um controle velado sobre a sociedade. Para complicar ainda mais toda essa expressão númerica de raízes quadradas informacionais, colchetes sociais e parênteses culturais, tudo parece fluído e solúvel, que escapa por entre nossos dedos, como já caracterizou Bauman. Mantemos relações rápidas e superficiais. Temos medo da alteridade e do novo. Medo esse oriundo do advento da excessiva tecnologia.
Esse tempo pós-moderno, que outros denominam de contemporâneo, transformou a sociedade em um terreno, constantemente, sitiado. Somos prisioneiros em nossos lares. Instalamos câmeras de vigilância, cercas elétricas e portões automáticos. Somos vigilantes de nós mesmos. Em outras palavras, parece vivermos em um reality show; sem é claro, um apresentador nos chamando de herois, bravos guerreiros ou algo do gênero. Basta digitar seu CPF ou, num display exibir as ranhuras particulares de seus dedos que, em poucos segundos o histórico de toda a sua vida aparecerá, como num passe de mágica. Tecnologia, meu caro! Tecnologia...
Para aqueles que conseguem tomar posse de todo esse conhecimento, a ascensão social é inevitável. Que nos diga o rapaz do facebook. Ter acesso ao saber está fácil. Decodificá-lo e dominá-lo, já não é tão simples assim. Tanto faz a classificação; pós-moderno ou contemporâneo. Caso nossa postura não mude diante de todo esse conhecimento acessível e infinito, agora, seremos dragados por nossos chips e softwares e, continuaremos controlados como marionetes, fazendo aquilo que os detentores do saber nos ditam. Ou, você acha que seus pensamentos e atitudes são livres? Wellerson Cassimiro.
9 de fev. de 2011
Concerto Allegro IX no Palácio das Artes
Obras de Strauss, Debussy e Maurice Ravel estão no repertório da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais que apresentará o concerto Allegro IX, amanhã, quinta-feira, 20, às 20h30, no Palácio das Artes, na capital mineira. A regência será do maestro Fábio Mechetti, com participação especial do clarinetista Ovanir Buosi. O músico será o solista do "Concerto para Clarinete e Orquestra", do compositor norte-americano John Corigliano. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro e custam: Platéia I, R$ 30,00. Platéia II, R$ 20,00.Platéia Superior, R$ 10,00. Estudantes e maiores de 60 anos pagam meia entrada. Graduado pela Unesp na classe do professor Sérgio Burgani, Ovanir Buosi continuou sua formação em cursos e masterclasses. Estudou em Londres, onde se aperfeiçoou no Royal College of Music. Através da Southbank Sinfonia, viajou pela França e Itália.Entre outras, atuou como solistas frente às orquestras Southbank Sinfonia de Londres, Filarmônica de Belo Horizonte, Sinfônica de Ribeirão Preto e Sinfônica de Campinas. Integrou o Quinteto de Sopros de Curitiba, o Quarteto Sacconi, em Londres, e o Quarteto Portinari. Em seu currículo, há importantes premiações nos concursos Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), além do I Prêmio Weril para Instrumentistas de Sopro, do Solistas da Rádio MEC e do X Prêmio Eldorado de Música.
8 de fev. de 2011
Beethoven: uma sinfonia, um contralto e... um hino
As expressões de intensidade que fazem toda a diferença
“Astros, anjos, céus entoam hino eterno a Ti, Senhor”. É o que propõe Henry Van Dyke (1907) na primeira estrofe do hino Coroação (Hymn to Joy), baseado no livro de Salmos 32:11. Nesta versão, constituída por três estrofes, sem refrão, adaptada por Isaac Nicolau Salum (1940), a peça revela a supremacia de Deus e as maravilhas de suas criações. E a música que acompanha esse texto faz parte do arranjo do quarto movimento – Andante - da Nona Sinfonia do compositor alemão Ludwig Van Beethoven.
Uma das principais características desta peça coral (se não for a principal) são as expressões de intensidade mezzo-forte e forte que são sustentados durante toda a interpretação. Os arranjos vocais são executados pelo tenor e soprano. Entretanto, na adaptação de Olivier Toussant, estes mesmos arranjos ficam a cargo somente do contralto e do soprano. Vale ressaltar, sem exagero, que o pedal sincopado é imprescindível.
Um Mito
Trechos desta fantástica peça são popularmente conhecidos. Creio que por dois motivos. Primeiro, pela história quase mítica que ronda a obra. Alguns relatos mencionam que, Beethoven compôs e regeu a Nona Sinfonia totalmente surdo. Ele não notou os aplausos ao final da peça, pois atrasado ainda regia a orquestra que já finalizara a música. Foi preciso então, uma contralto - Caroline Unger - ter ido a ele e o virado em direção ao público, para notar os aplausos.
Segundo, pela sua repetida execução em diversos festivais de música e a sua inserção em produções hollywoodianas. Como exemplo, no longa-metragem “Mudança de Hábito 2 - De Volta ao Convento” ( Sister Act 2: Back in the Habit), com Whoopi Gooldberg, no qual esse arranjo é cantado duas vezes em um concurso de corais. Esta foi a última sinfonia composta pelo alemão, compositor do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). Beethoven morreu três anos depois da estreia da Nona Sinfonia, aos 57 anos. Wellerson Cassimiro.
“Astros, anjos, céus entoam hino eterno a Ti, Senhor”. É o que propõe Henry Van Dyke (1907) na primeira estrofe do hino Coroação (Hymn to Joy), baseado no livro de Salmos 32:11. Nesta versão, constituída por três estrofes, sem refrão, adaptada por Isaac Nicolau Salum (1940), a peça revela a supremacia de Deus e as maravilhas de suas criações. E a música que acompanha esse texto faz parte do arranjo do quarto movimento – Andante - da Nona Sinfonia do compositor alemão Ludwig Van Beethoven. Uma das principais características desta peça coral (se não for a principal) são as expressões de intensidade mezzo-forte e forte que são sustentados durante toda a interpretação. Os arranjos vocais são executados pelo tenor e soprano. Entretanto, na adaptação de Olivier Toussant, estes mesmos arranjos ficam a cargo somente do contralto e do soprano. Vale ressaltar, sem exagero, que o pedal sincopado é imprescindível.
Um Mito
Trechos desta fantástica peça são popularmente conhecidos. Creio que por dois motivos. Primeiro, pela história quase mítica que ronda a obra. Alguns relatos mencionam que, Beethoven compôs e regeu a Nona Sinfonia totalmente surdo. Ele não notou os aplausos ao final da peça, pois atrasado ainda regia a orquestra que já finalizara a música. Foi preciso então, uma contralto - Caroline Unger - ter ido a ele e o virado em direção ao público, para notar os aplausos.
Segundo, pela sua repetida execução em diversos festivais de música e a sua inserção em produções hollywoodianas. Como exemplo, no longa-metragem “Mudança de Hábito 2 - De Volta ao Convento” ( Sister Act 2: Back in the Habit), com Whoopi Gooldberg, no qual esse arranjo é cantado duas vezes em um concurso de corais. Esta foi a última sinfonia composta pelo alemão, compositor do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). Beethoven morreu três anos depois da estreia da Nona Sinfonia, aos 57 anos. Wellerson Cassimiro.
7 de fev. de 2011
2 de fev. de 2011
Um clima evoluído do espírito renascentista
Composta para cinco vozes a ópera Arianna, do compositor italiano Benedetto Marcello, se revela surpreendente ao parecer ostentar um clima evoluído do espírito renascentista, escrita para um soprano, um contralto, um tenor e dois baixos. O libreto é do também italiano Vincenzo Cassani. A obra teve sua estreia em 1726, tendo como personagens: Arianna (soprano), Fedra (contralto), Teseo (tenor), Bacco (baixo) e Sileno (baixo). Comum às orquestras barrocas, o órgão e o cravo executam a parte do baixo contínuo. Em Arianna, o órgão acompanha as árias e os recitativos de Bacco e Sileno. O primeiro registro desse instrumento surge na terceira cena, durante o recitativo de Bacco (“A Terra, A Terra”). Em seguida, em um clima festivo, emana um coro (“Ebbre bessaridi” - sátiros e faunos). No entanto, o que me desperta a atenção é a peça sinfônica que abre a ópera, sequenciada nos movimentos: presto, largo e presto. Os violinos parecem duelar entre si, enquanto os naipes dos sopros iniciam, em um segundo tempo, um diálogo com esse duelo de semicolcheias e fusas.
Outro trabalho do italiano que merece destaque é a obra vocal "Estro poetico-armonico - Cantus Cölln", baseada no livro de Salmos, capítulos nº03, 10, 40, 44 e 47. Benedetto Marcello nasceu em Veneza, em 31 de julho de 1686. E, além de compositor, exercia as atividades de escritor e advogado. Entre seu legado estão cantatas, madrigais, oratórios e sonatas. Faleceu na cidade de Bréscia (Itália), em 24 de julho de 1739. Wellerson Cassimiro.
30 de jan. de 2011
Hino Esperando em Deus
HARMONIZADO POR BACH, HINO REVELA CENÁRIO HÓSTIL AOS PROTESTANTES
Muitos compositores eruditos, como Félix Mendelssohn e Wolgang Amadeus Mozart, contribuíram para a formação musical da nova igreja que surgiu como resultado da Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero. E o virtuose organista Johann Sebastian Bach, compositor mais lembrado do período barroco, foi um deles.
Composta pelo músico francês e teórico musical do Renascimento, Louys Bourgeois, para o Saltério de Genebra, em 1551, a obra “Freu' Dich Sehr o Meine Seele” - “Esperando em Deus”, do Hinário Novo Cântico ( HNC – Nº118) – passou pelas mãos do organista alemão que, ao final de sua vida foi acometido por uma cegueira.
Bach harmonizou este hino para a inclusão na Cantata nº39, escrita para o primeiro domingo após a Trindade, em 1732, e utiliza textos de Isaías 58.7-8 e Hebreus 13.16. Intitulada “Tragam para os famintos o seu pão”, a peça revela o cenário hóstil de Salzburgo. Os protestantes eram, severamente, perseguidos e muitos deles se refugiaram nas igrejas reformadas. A versão adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil possui quatro estrofes, sem refrão e, apresenta uma estrutura melódica simples.
No entanto, quanto às vozes do baixo, tenor e contralto, a música revela pequenos trechos que necessitam de certa atenção por parte do instrumentista. Ao longo da obra, surgem seis fermatas atribuídas às notas de um tempo, ainda no meio dos versos, o que pode confundir o músico e o coro, caso o tempo não seja seguido. O organista J.S. Bach forneceu um infindável repertório musical para o serviço da igreja como, oratórios, paixões, missas, motetos, prelúdios corais, árias religiosas e cantatas. O poema de “Esperando em Deus”(HNC), baseado em Salmos 42, foi metrificado por Manoel da Silveira Porto Filho. Wellerson Cassimiro.
Muitos compositores eruditos, como Félix Mendelssohn e Wolgang Amadeus Mozart, contribuíram para a formação musical da nova igreja que surgiu como resultado da Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero. E o virtuose organista Johann Sebastian Bach, compositor mais lembrado do período barroco, foi um deles. Composta pelo músico francês e teórico musical do Renascimento, Louys Bourgeois, para o Saltério de Genebra, em 1551, a obra “Freu' Dich Sehr o Meine Seele” - “Esperando em Deus”, do Hinário Novo Cântico ( HNC – Nº118) – passou pelas mãos do organista alemão que, ao final de sua vida foi acometido por uma cegueira.
Bach harmonizou este hino para a inclusão na Cantata nº39, escrita para o primeiro domingo após a Trindade, em 1732, e utiliza textos de Isaías 58.7-8 e Hebreus 13.16. Intitulada “Tragam para os famintos o seu pão”, a peça revela o cenário hóstil de Salzburgo. Os protestantes eram, severamente, perseguidos e muitos deles se refugiaram nas igrejas reformadas. A versão adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil possui quatro estrofes, sem refrão e, apresenta uma estrutura melódica simples.
No entanto, quanto às vozes do baixo, tenor e contralto, a música revela pequenos trechos que necessitam de certa atenção por parte do instrumentista. Ao longo da obra, surgem seis fermatas atribuídas às notas de um tempo, ainda no meio dos versos, o que pode confundir o músico e o coro, caso o tempo não seja seguido. O organista J.S. Bach forneceu um infindável repertório musical para o serviço da igreja como, oratórios, paixões, missas, motetos, prelúdios corais, árias religiosas e cantatas. O poema de “Esperando em Deus”(HNC), baseado em Salmos 42, foi metrificado por Manoel da Silveira Porto Filho. Wellerson Cassimiro.
27 de jan. de 2011
Livro "Um Amor, Um Verão e o Milagre da Vida" - Isa Colli
Sem sombra de dúvidas, o dom da vida é o melhor presente concedido por Deus. Ficamos receiosos de adquirir alguma doença ou de sofrermos qualquer tipo de acidente que nos possa ceifar do convívio de nossos amigos e entes queridos. A vinda da morte sempre é uma surpresa, pois não a compreendemos. Em seu livro “Um Amor, Um Verão e o Milagre da Vida”, Isa Colli expõe, de forma poética, a longa e desconhecida fronteira que separa as pessoas da morte. Sua surpreendente experiência com um câncer é revelada logo nas primeiras páginas. Colli, acima de tudo, mostra a força e a superação baseada em uma fé consolidada, que a fez vencer um vilão que, às vezes se apresenta de forma invisível.
23 de jan. de 2011
Jessye Norman – uma exímia força interpretativa e um timbre inconfundível
Com certeza, uma das melhores interpretações – e por que não dizer, a melhor interpretação - da peça “Erkönig”, do compositor romântico vienense Franz Schubert, é da soprano estadunidense Jessye Norman, conhecida por seu estilo intelectual e suas qualidades emocionais expressivas. Segundo o texto do alemão Johann Wolgang von Goethe, um menino doente, um pai desesperado, um cavalo veloz e um temível rei dos elfos são as personagens relatadas no poema “Der Erlkönig”, musicado por Schubert, em 1815, para voz e piano. Originalmente, foi composto como parte da balada operística de 1782, titulada "Die Fischerin". Alguns pianistas, maestros e cantores líricos consideram “Erlkönig” difícil de ser cantada, devido à habilidade e interpretação vocal requerida do cantor, assim como a sua dificuldade de acompanhamento. Esta barreira, entretanto, foi vencida por Jessye Norman, dona de um poder vocal impressionante, além de sua interpretação impecável.
Nascida na Geórgia (EUA), Norman foi ganhadora quatro vezes do Grammy – uma espécie de Oscar do universo musical - e é uma das mais admiradas cantoras líricas contemporâneas. Segundo matéria publicada, em 16 de outubro de 2010, no Jornal Estadão, a soprano realizou, no início da década de 1970, inúmeras interpretações das obras de Mozart, Verdi e Wagner, o que a fizeram internacionalmente famosa. Já nos anos 80, Norman optou por peças barrocas e contemporâneas, com paradas em obras românticas. Nos concertos, no entanto, os únicos compositores constantes eram Wagner e Strauss. Alguns musicólogos acreditam que, por interpretar todas essas obras de diferentes períodos da música, Norman adquiriu a facilidade de transitar por todos os registros. Dos graves aos mais agudos.
Sem sombra de dúvidas, Jessye Norman merece os aplausos. Outra obra que revela todo o potencial da estadunidense é “Dove Sono”, da ópera As Bodas de Fígaro, do compositor austríaco Wolgang Amadeus Mozart. Sua interpretação dramática a coloca entre as melhores cantoras líricas e mais bem pagas. Em matéria postada no Portal Luis Nassif, Oscar Peixoto afirma que, Jessye possui uma das vozes mais marcantes de nossa época. É um soprano de personalidade exuberante, de enorme força interpretativa, voz poderosa e timbre inconfundível.
Wellerson Cassimiro
13 de jan. de 2011
Um piano como testemunha
Os carrascos da educação musical. As totalitárias semelhanças entre Leopold Mozart e Peter Helfgott.
Novamente, coloco a disposição as minhas análises referentes às tristes semelhanças entre Leopold Mozart, pai de Wolgang Amadeus Mozart, e Peter Helfgott, pai do pequeno David Helfgott. Separados por quase 165 anos, Leopold e Peter não se diferenciavam em nada, quando a educação musical de seus filhos estava em jogo.
Os virtuoses da música
Nascido em Melbourne, na Austrália, em 19 de Maio de 1947, David Helfgott era capaz de reproduzir ao piano as peças mais complexas que, rapidamente memorizava, após ouví-las em um cansado toca-discos. Ao participar de um concurso de música, teve a destreza de interpretar obras de Chopin com o piano em movimento, ocasionado pelo peso de suas mãos e a falta de travas nos pés do instrumento. David iniciou seus estudos de música com seu pai, Peter Helfgott, homem rígido e abusivo. Peter foi um homem frustrado, pois quando criança adquirira um violino através de muito suor que, posteriormente, veio a se quebrar. Para agravar a situação, seu pai negara o seu acesso aos estudos musicais. Desse modo, Peter Helfgott transportou para o seu filho, David, o seu sonho de ser um músico de exímio talento. Ele inscrevia David em vários festivais e concursos em busca de troféus e, consequentemente, receber a fama. O patriarca da família Helfgott não admitia falhas. Se errasse qualquer nota ou compasso, David era severamente punido.
Entretanto, a História nos revela fatos semelhantes, ainda no século XVIII, de uma criança-prodígio, nascida em Salzburgo, em 27 de janeiro de 1756, com um pai opressor, sedento por fama e glória. Essa criança, Wolgang Amadeus Mozart cresceu sem o afeto do pai: Leopold Mozart. Considerando inúmeros aspectos, acredito que Amadeus nunca teve a atenção de um pai. Mas, sim a dedicação de um professor.
Em seu livro “Mozart - O Grande Mago” (vol.1), o escritor francês Christian Jacq revela o lado autoritário de Leopold Mozart que, submetia Wolgang às longas jornadas de estudos ao piano. As tradicionais brincadeiras de criança foram suprimidas. Ao jovem operístico, era permitido somente breves – por não dizer curtas - distrações, para não comprometer as novas composições (p.89). Wolgang, por vezes, queixava-se do pai que, não o concedia momentos de descanso (p.155). Afirmo sem sombras de dúvidas que, em busca de glória, Leopold enfrentava cansativas viagens entre as cidades européias para exibir seu filho como, um mico adestrado. Seu sonho era ver Wolgang indicado a um cargo fixo de músico, na corte de Viena. Contudo, agradar aos vienenses não era uma tarefa tão fácil. Culturalmente, os moradores de Viena eram extremamente rigorosos quanto aos seus músicos, obras e estilos. Como resultado, ao final do ano de 1766, Wolgang, com apenas 10 anos de idade, se viu sobrecarregado de trabalho. Para o frustar ainda mais, o príncipe-arcebispo de Salzburgo, Colloredo, que nunca dispensou sua simpatia ao jovem, colocava constante em “xeque” os seus reais talentos.
Uma testemunha
Assim, me atrevo a dizer que, Leopold Mozart e Peter Helfgott eram quase irmãos. Gêmeos. Eles impunham sobre seus filhos obras complexas de estilo virtuosísticos que necessitariam de mais tempo de estudo e experiência musical. A diversão, por direito de qualquer criança e adolescente, não fazia parte de suas vidas. Para Leopold e Peter a opressão era o melhor método de ensino musical e educação secular. Buscaram a fama e a glória usando seus filhos como vitrines ambulantes. Em toda essa lastimável história de repressão, somente os seus pianofortes presenciaram os sonhos e os desejos frustrados de Wolgang e David. A dor e a alegria de serem crianças-prodígios. Wellerson Cassimiro
Novamente, coloco a disposição as minhas análises referentes às tristes semelhanças entre Leopold Mozart, pai de Wolgang Amadeus Mozart, e Peter Helfgott, pai do pequeno David Helfgott. Separados por quase 165 anos, Leopold e Peter não se diferenciavam em nada, quando a educação musical de seus filhos estava em jogo. Os virtuoses da música
Nascido em Melbourne, na Austrália, em 19 de Maio de 1947, David Helfgott era capaz de reproduzir ao piano as peças mais complexas que, rapidamente memorizava, após ouví-las em um cansado toca-discos. Ao participar de um concurso de música, teve a destreza de interpretar obras de Chopin com o piano em movimento, ocasionado pelo peso de suas mãos e a falta de travas nos pés do instrumento. David iniciou seus estudos de música com seu pai, Peter Helfgott, homem rígido e abusivo. Peter foi um homem frustrado, pois quando criança adquirira um violino através de muito suor que, posteriormente, veio a se quebrar. Para agravar a situação, seu pai negara o seu acesso aos estudos musicais. Desse modo, Peter Helfgott transportou para o seu filho, David, o seu sonho de ser um músico de exímio talento. Ele inscrevia David em vários festivais e concursos em busca de troféus e, consequentemente, receber a fama. O patriarca da família Helfgott não admitia falhas. Se errasse qualquer nota ou compasso, David era severamente punido.
Entretanto, a História nos revela fatos semelhantes, ainda no século XVIII, de uma criança-prodígio, nascida em Salzburgo, em 27 de janeiro de 1756, com um pai opressor, sedento por fama e glória. Essa criança, Wolgang Amadeus Mozart cresceu sem o afeto do pai: Leopold Mozart. Considerando inúmeros aspectos, acredito que Amadeus nunca teve a atenção de um pai. Mas, sim a dedicação de um professor.
Em seu livro “Mozart - O Grande Mago” (vol.1), o escritor francês Christian Jacq revela o lado autoritário de Leopold Mozart que, submetia Wolgang às longas jornadas de estudos ao piano. As tradicionais brincadeiras de criança foram suprimidas. Ao jovem operístico, era permitido somente breves – por não dizer curtas - distrações, para não comprometer as novas composições (p.89). Wolgang, por vezes, queixava-se do pai que, não o concedia momentos de descanso (p.155). Afirmo sem sombras de dúvidas que, em busca de glória, Leopold enfrentava cansativas viagens entre as cidades européias para exibir seu filho como, um mico adestrado. Seu sonho era ver Wolgang indicado a um cargo fixo de músico, na corte de Viena. Contudo, agradar aos vienenses não era uma tarefa tão fácil. Culturalmente, os moradores de Viena eram extremamente rigorosos quanto aos seus músicos, obras e estilos. Como resultado, ao final do ano de 1766, Wolgang, com apenas 10 anos de idade, se viu sobrecarregado de trabalho. Para o frustar ainda mais, o príncipe-arcebispo de Salzburgo, Colloredo, que nunca dispensou sua simpatia ao jovem, colocava constante em “xeque” os seus reais talentos.
Uma testemunha
Assim, me atrevo a dizer que, Leopold Mozart e Peter Helfgott eram quase irmãos. Gêmeos. Eles impunham sobre seus filhos obras complexas de estilo virtuosísticos que necessitariam de mais tempo de estudo e experiência musical. A diversão, por direito de qualquer criança e adolescente, não fazia parte de suas vidas. Para Leopold e Peter a opressão era o melhor método de ensino musical e educação secular. Buscaram a fama e a glória usando seus filhos como vitrines ambulantes. Em toda essa lastimável história de repressão, somente os seus pianofortes presenciaram os sonhos e os desejos frustrados de Wolgang e David. A dor e a alegria de serem crianças-prodígios. Wellerson Cassimiro
10 de jan. de 2011
3 de jan. de 2011
Maria Callas vira tema de filme
Notas de AberturaDestaque no cenário lírico pela exímia interpretação de Norma, ópera do italiano Vincenzo Bellini, e considerada a maior celebridade operística do século XX, Maria Callas vai se tornar alvo de um longa-metragem. A produção é de responsabilidade da atriz norte-americana Eva Mendes, 36 anos, que em entrevista à revista alemã Brigitte, publicada no domingo (02), disse estar obsessiva pela cantora de óperas. Sobretudo com o romance entre ela e Aristóteles Onassis. “Essa relação entre paixão e poder me fascinou", afirmou Mendes. A atriz já tem os direitos para produzir o filme e, o roteiro já está pronto. Segundo Eva, só falta procurar um diretor para rodar a trajetória de Callas (1923-1977).
Ato I - Abrindo as cortinas
Maria Callas nasceu em Nova Iorque, em 02 de dezembro 1923, e começou a despontar no universo erudito como cantora lírica em 1948, com uma interpretação surpreendente para a protagonista da ópera Norma, de Vincenzo Bellini. Entretanto, sua carreira só alcançou o merecido sucesso no ano seguinte, quando alternou, na mesma semana, récitas de “I Puritani”, também de Bellini, e “Die Walküre”, de Wagner; deixando a crítica e o público perplexos.
Para o organista barroco e historiador de óperas, formado pelo Conservatório Haydée França Americano, Carlos Alexandre Aquino, 33, a cantora Maria Callas foi a personificação da arte dramática. “Ela trouxe para a ópera todo o drama que viveu em sua vida pessoal. Cada gesto, olhar, respiração e cada nota que emitia era um desabafo para o público que a assistia e a admirava”, revela. Segundo a imprensa da época, a vida de Callas renderia enredo de ópera tão trágico quanto o das encenadas pela soprano. O organista barroco afirma, ainda, que a cantora já nasceu com um talento especial para a ópera, com seus conflitos e dramas pelos quais passou. “Por isso, ela soube tão bem compreender as personagens que interpretou, vivendo-as intensamente”, acrescenta ele.
Ato II – Ascensão
A partir da década de 1950, ela começou a apresentar-se regularmente nas mais importantes casas de espetáculos dedicadas à ópera, como Metropolitan, La Scala e Convent Garden. Foram os anos dourados de Maria Callas. Seu renome como cantora internacional como, também sua fama de tigresa, ascenderam rapidamente. Foi neste mesmo período que recebeu a fama de ser temperamental pelo seu perfeccionismo. Callas era detalhista às características mais sútis das personagens que interpretava. Para Carlos Alexandre Aquino, a mais marcante das personagens de Callas, nos palcos e, a que fez história, foi Norma. Embora, segundo ele, Tosca, de Puccini, tenha sido muito elogiada e ainda uma das maiores vividas até hoje.
Ato III – A Queda
Quanto ao trágico fim de sua carreira, o organista revela que, de certo modo o relacionamento de Maria Callas com Onassis levou aos poucos ao fim da carreira da artista. “Ela amava o armador grego de forma tão intensa quanto sua arte, e isso a levou a um desequilíbrio emocional tal, que a fazia até mesmo cancelar récitas, quase que em últimas horas”, conta. Segundo ele, o fim da carreira de Maria Callas foi muito da consequência do seu lado emocional abalado e perda da voz de outrora e do conflito de Maria, a mulher e Callas, a artista. “Certa vez, como relatou Ariana Stanssinopoulos Huffington, em seu livro Callas, a Mulher Por Trás Do Mito, a diva grega teria dito: 'eu gostaria de ser Maria, mas La Callas exige que me comporte com sua dignidade, eu gostaria de pensar que as duas na verdade são uma só, porque uma vez Callas também foi Maria, e sempre me coloquei inteira em minha música'. Chegou em um ponto, que Callas sufocou Maria, essa que queria ser amada, amar, construir uma família”, explica Aquino. Desse modo, Callas vivenciou conflitos estabelecidos dentro de si.
Fechando as cortinas
Apesar das adversidades, em 1974, depois de um tempo afastada dos palcos e holofotes, Callas retornou ao mundo operístico para realizar uma série de concertos ao lado do tenor Giuseppe di Stefano. Contudo, os concertos foram massacrados pela crítica especializada, pois segundo alguns, a voz de Maria Callas já não era a mesma. O que mantinha o público firme nas apresentações era o amor. A crítica afirmava que sua atuação foi prejudicada, pois uma vez que tinha que fazer muito mais esforço para manter a afinação, a interpretação ficou débil. O organista Carlos Alexandre ratifica que o desequilíbrio emocional contriubuiu para o apagar das luzes e o fechar das cortinas para Callas. “Isso ficou bem nítido em suas últimas apresentações, como o concerto com o tenor italiano Giuseppe di Stefano, realizado no Japão, naquele ano”, encerra. Wellerson Cassimiro
Assinar:
Postagens (Atom)


